O Retrato de um Luterano Alemão no séc. XIX

Em seu prefácio ao livro “The Conservative Reformation” de Charles Krauth, Edição da CPH de 2007, Lawrence R. Rast Jr cita a descrição que um luterano liberal faz de um pároco alemão, mostrando quão desconcertante era a aparência de um antigo luterano para um luterano americano. Trata-se do relato de Ezra Keller, um colega de Kurtz e Schmucker, a respeito do seu encontro com o Rev. J. Wangner:

Ele é um gentleman por completo, e um cristão fervoroso, mas também um dogmático fanático. Muito antiquado em suas visões da doutrina cristã e da política eclesiástica. Ele considera a subscrição à inalterada Confissão de Augsburgo, sem ressalvas ou comentários, como indispensável para fazer de alguém um luterano. A Igreja Luterana, baseado na Confissão de Augsburgo ele a considera como a Igreja Católica Apostólica. E crê na regeneração batismal e na presença real do corpo e do sangue de Cristo na Santa Ceia. Além disso, recomenda a confissão e absolvição privada, faz o sinal da cruz na administração do batismo e se conforma às várias formas dos simbolistas.

Michael Diehl, Biography of Rev. Ezra Keller, p.260, cf. Lawrence R. Rast Jr., preface, “The Conservative Reformation”.

O relato acima parece sugerir que, diferente do luteranismo americano, o luteranismo europeu era extremamente litúrgico, apegado a uma forma evangélica de governo episcopal, e acima de tudo, confessional.

Por sua vez, já no século XIX, o luteranismo americano se entrincheirava para sustentar doutrinas tão simples e básicas como a regeneração batismal e a presença real do corpo e sangue de Cristo na Ceia. Somente por meio do ressourcement na Ortodoxia Luterana, na releitura do antigo luteranismo de Chemnitz, Gerhard, Calov, etc, que o luteranismo americano encontrou seu caminho de volta para a doutrina e a espiritualidade luterana.

É importante que nós como luteranos brasileiros tenhamos essa consciência histórica, pois recebemos muita influência do luteranismo americano, com todas as suas virtudes e fraquezas; e assim, muitas das práticas que rejeitamos como “papistas” são genuinamente luteranas, e algumas das práticas que abraçamos são de origem evangelical, ou arminiana, ou calvinista ou até mesmo pentecostal, e conflitam com o ethos da ortodoxia luterana.

Não há motivo para pânico e querelas infrutíferas! Temos sido muito abençoados nos últimos anos. No entanto, precisamos sim de labor intelectual e teológico incessante, e persistência no ensino dentro de nossa paróquias com amor e paciência para com “o irmão mais fraco” (1Co 8:11).

até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.

Efésios 4:13

FINIS

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