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Thomas Watson sobre a Alma Humana (Psyche)

No último artigo comentei sobre um importante texto em que Thomas Watson revela seu apreço por uma teologia natural construída a partir da anatomia e da medicina. Nesse texto, o autor nos revela agora uma teologia natural da alma, e não mais do copro, construída a partir da psicologia pré-científica¹.

b. a alma do homem

Isto é o homem do homem. O homem, com relação à sua alma, tem parte com os anjos. Mais ainda, como diz Platão, o entendimento, a vontade e a consciência são um espelho que remete à Trindade. A alma é o diamante no anel, é um vaso de honra; o próprio Deus se serve desse vaso. É uma centelha do brilho celestial, diz Damasceno. Davi admirou a estrutura extraordinária e a feitura de seu corpo: “por modo assombrosamente maravilhoso me formaste… entretecido como nas profundezas da terra” (Sl 139.14,15). Se o porta-jóias foi tão maravilhosamente formado, o que dizer da jóia? Quão magnificamente foi entretecida a alma. Desta maneira se pode ver quão gloriosa é a obra da criação, especialmente o homem, que é a epítome do mundo.

Thomas Watson – A Fé Cristã – Estudos baseados no Breve Catecismo de Westminster, Ed. Cultura Cristã 2009, p.143.

Gostaria de tecer alguns comentários acerca das frases do autor que se encontram em negrito.

Em primeiro lugar, notamos que Watson assume o princípio da analogia entis como forma legítima de conhecer a alma humana, a psyche. Sendo assim, para Watson, uma psicologia baseada em conhecimentos naturais é perfeitamente cabível. Existe uma analogia e uma hierarquia entre os seres, que vai desde o próprio Ser por exclência, passando pelos anjos e pelos homens até chegar no mundo das plantas e dos animais. De fato, o próprio Espírito Santo falando nas Escrituras afirma: “Vós sois deuses” (Sl 82.6), e também “que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que os anjos e de glória e de honra o coroaste” (Sl 8.4,5). No entanto, o homem, em muitos aspectos, é bastante semelhante aos animais, em corpo e alma, como se verá mais adiante.

Watson segue citando Platão e sua divisão clássica das faculdades superiores da alma – entendimento (razão), vontade e consciência. Alguém pode perguntar: mas e os afetos (ou sentimentos)? Por que Thomas Watson não os cita? Ora, o motivo já fora dado na frase anterior. Ele está tratando daquilo em que a alma humana se difere da alma animal e se assemelha aos anjos. Veja você que, para Watson, asssim como para a maioria dos puritanos, o que nos difere dos animais são essas faculdades: razão, vontade e consciência (alguns não entendiam a consciência como uma faculdade diferente da razão). Já aqui erige-se todo um arcabouço psicológico infinitamente superior ao que têm sido proposto em muitas escolas modernas de psicologia.

Por último, notamos no texto em questão que Watson parece ser um platonista em sua psicologia quando utiliza uma linguagem que lembra bastante o esquema platônico “corpo como casa da alma”. É difícil avaliá-lo, uma vez que essa linguagem se popularizou de maneira muito forte no cristianismo devido aos escritos de Santo Agostinho, este sim um fiel platonista em sua psicologia. No entanto, platonista ou aristotélico, Watson reconhece uma hierarquia interior do ser onde a razão e a vontade devem reniar, e o princípio da analogia entis, tão caro a uma boa psicologia.

FINIS

[1] O termo psicologia pré-científica designa todo o conhecimento milenar produzido sobre psicologia antes do advento da ciência moderna. Segundo Izabel Ribeiro Freire, tal período data do século VI a.C até 1879 (Cf. Izabel R. Freire, Raízes da Psicologia, Ed. Vozes 15ºEd 2014, p.17).

Thomas Watson e a Teologia Natural do Corpo

O texto a seguir, retirado da exposição do Breve Catecismo de Westminster, feita por Thomas Watson, nos motra como os teólogos do século XVII demonstravam interesse em fazer teologia natural a partir de diversos conhecimentos e esferas do saber, como por exemplo, a anatomia e a medicina. Não raras vezes, encontramos extensas referências à literatura médica mais sofisticada da época em todos os escritos puritanos, como Watson, Baxter, Owen, Flavel, Philip Nye, Nehemiah Coxe e muitos outros.

a. As partes do corpo do homem

i. A cabeça, a parte arquitetonicamente mais excelente. É a fonte das disposições e o lugar da razão. Na natureza a cabeça é a melhor parte, porém o coração a excede em graça.

ii. Os olhos são a beleza da face. Brilham e refulgem como um pequeno sol no corpo. Os olhos ocasionam muito pecado e, portanto, podem trazer lágrimas.

iii. O ouvido é o canal pelo qual o conhecimento é transmitido. É melhor perder a nossa vista que nossa audição, porque a fé vem pelo ouvir (Rm 10.17). Ter um ouvido aberto para Deus é a melhor jóia.

iv. A língua é a glória do homem. Davi chama a língua de sua glória (Sl 16.9), porque ela é um instrumento para declarar a glória de Deus. O espírito, no começo, era como uma harpa afinada para louvar a Deus e a língua fazia melodia. Deus nos deu dois ouvidos, mas uma só língua, para nos mostrar que devemos ser prontos para ouvir, mas tardios para falar. Deus colocou uma cerca dupla diante da língua: os dentes e os lábios, para nos ensinar a ser cuidadosos em não ofender com nossa língua.

v. O coração é uma parte nobre e o órgão da vida.

Thomas Watson, A Fé Cristã – Estudos baseados no Breve Catecismo de Westminster, Ed. Cultura Cristã 2009, p.142-3.

Eu sei que o texto é pequeno e pode passar despercebido pela maioria dos leitores leigos. No entanto, quando levamos em conta que isso foi transcrito a partir de seus sermões paroquiais, podemos ter uma idéia de como esses assuntos eram tratados na academia da época. Mesmo um leigo de uma capela puritana pobre e pequena do século XVII recebia mais instrução do que muitos recebem hoje em nossas igrejas com ar condicionado e microfone auricular (se me permitem o exagero rs).

O que mais me chama atenção aqui é que mesmo um puritano típico (lembre-se de que os puritanos são vistos até hoje como radicais e fundamentalistas em muitos aspectos, as vezes de maneira injusta, em outros nem tanto) se valia de conhecimentos naturais e científicos para construir uma teologia pastoral natural – bem exortativa, é verdade -, e hoje, tantos ministros que se dizem equilibrados e sensatos, rejeitam veementemente qualquer coisa que não seja teologia e exegese bíblicas. Isso definitivamente não está certo. Deus nos deu o livro da natureza muito antes das Escrituras. E quando interpretamos as Escrituras sem olhar para a realidade criada por Deus corremos o risco de fecharmos os ouvidos para a Sua revelação e nos isolarmos num laboratório de lexos e comentários.

Outro aspecto interessante, talvez um assunto para outra hora, é o valor do corpo para esses homens. Em tempos em que se discute até mesmo a venda de órgãos humanos, talvez uma teologia natural seja de extrema importância para repensarmos nossos posicionamentos éticos perante a sociedade.

No próximo artigo, espero trazer um pequeno trecho do comentário de Watson sobre a alma humana, mostrando assim o interesse dos puritanos pela psicologia.

A Rejeição da Psicologia e a Psicologização: duas faces de uma mesma idolatria

Um artigo inspirado em Dooyeweerd num blog tomista? SIM! E qual o problema? Eu continuo sendo um tomista reformado e justamente por isso tenho mais liberade para apreciar a filosofia reformacional e absorver dela até onde me é possível. E ultimamente tenho desenvolvido um trabalho na filosofia de Herman Dooyeweerd, aplicando-a na minha área de atuação (psiquiatria e psicologia médica). Na verdade, já existem muitas pessoas fazendo isso. Talvez o caso mais ilustre seja o do psiquiatra Dr. Gerrit Glas, que tem escrito bastante sobre o tema numa perspectiva reformacional. Sou grato a ele por tudo que aprendi em seu Person-Centered Care in Psychiatry.

Ora, voltemos à questão principal aqui. Quero lhes mostrar que tanto a psicologização quanto a rejeição da psicologia são duas faces de um mesmo tipo de idolatria: a absolutização de um aspecto modal da realidade em detrimento de outros.

A Psicologização já tem sido muito combatida desde a década de 70, quando do surgimento do movimento de esquerda conhecido como movimento antipsiquiatra – que parece ter exercido larga influência sobre o pensamento do teólogo americano Jay E. Adams, como aponta o Dr. Alan Thomas em seu livro Tackling Mental Illness Together. Desde então, críticas muito mais inteligentes surgiram contra a psicologização, como aquelas escritas pelo Dr. Darymple (psiquiatra e filósofo) e do grande filósofo conservador Roger Scruton. Por que eu cito esses dois como exemplo? São dois autores que tecem críticas profundas contra a psicologia, mas ao mesmo tempo apresentam propostas de reforma, de reformulação. Essa ideia de criticar só para destruir é demoníaca, revolucionária e despreza milênios de conhecimento acumulado. Ou seja, é anti-conservadora, anti-cristã e anti-progresso ao mesmo tempo. É estranho como alguns pretensos conservadores, no afã de combater a secularização, se tornam eles mesmos revolucionários.

Mas qual seria a maior crítica contra a psicologização? A principal denúncia dos autores supracitados é a de que a psicologia pode roubar o valor espiritual e humanístico de certas experiências universais, tais como o sofrimento, o luto, a separação e a criação dos filhos. Ou seja, as críticas parecem ir no sentido que a psicologia é prejudicial quando ela abosorve outros campos do conhecimento de maneira ensimesmada. Isso é o que Dooyeweerd chamaria de absolutização de um aspecto modal. É desprezar os aspectos sociais, espirituais, e interpretá-los todos em termos de símbolos e signos psicológicos.

Para que entendamos melhor isso, vejamos o seguinte gráfico que retirei da página O Escrituralista no facebook:

Esquema representativo da Teoria dos Aspectos Modais da Realidade (de Dooyeweerd)

Veja que a psicologia representa apenas um aspecto modal da experiência. Não é tão difícil de entender (meus colegas de medicina sem nenhum treinamento em filosofia ficaram maravilhados quando lhes apresentei esse quadro). De acordo com Dooyeweerd, quando desprezamos qualquer um desses aspectos modais como inúteis, isso revela uma idolatria do nosso coração, nossa tendência em enxergar as coisas sempre do mesmo ângulo. E pasmem, mesmo a Fé aqui pode se tornar um aspecto idolátrico e absolutizado.

E quanto àqueles que desprezam o aspecto psicológico da experiência humana? Isso é, aqueles que rejeitam a psicologia. Bom… Pode parecer estranho criticar um grupo tão pequeno de pessoas, mas acredito que todo questionamento por menor que seja deve ser respondido. Faz tempo que tenho notado no meio reformado – ao qual eu pertenço – um certo ranço fundamentalista não somente em relação à psicologia, mas a todas as ciências ditas humanas. Outro dia li um autor dizer – sem qualquer pudor – que a Igreja não necessita de sociologia, filosofia e ciências humanas. E infelizmente esse livro foi publicado por uma editora reformada. Também não faz muito tempo, li uma citação de um livro de aconselhamento bíblico, na qual um pastor chama a psicologia de pseudociência (o engraçado aqui é que esse mesmo pastor pertence a uma tradição conhecida por defender um camaleão teológico).

Eu entendo perfeitamente que esses homens estejam habituados com um tipo de ethos marxista, feminista e secular reinando nas ciências humanas. Mas essa apologética antitética lançada contra a psicologia é uma apologética do ressentimento, e que nunca foi ensinada pelo Nosso Senhor Jesus Cristo. Homens assim precisam aprender aos pés de Douglas Wilson, R C Sproul, N T Wright, Vermigli, Santo Tomás, Santo Anselmo, etc. Homens de conhecimento enciclopédico, que se colocaram a estudar o mundo sem preguiça e indisposição, para conhecer o Universo criado por Deus e dele extrair toda a sabedoria possível.

Bradford Littlejohn, presidente do Davenant Institute, já chamou atenção para o efeito devastador do pensamento hiper antitético dos chamados “guerreiros da cosmovisão”, pessoas que acreditam que conhecer os conceitos de criação, queda e redenção lhes é suficiente para opinar sobre cultura, música, sociedade, política, arte, etc. Nada mais enganoso! Isso tem gerados cristãos com a mente ressequida, com a língua veloz para criticar e com muito pouco a oferecer.

Creio que a crítica do Bradford Littlejohn vai exatamente ao encontro da minha tese sobre aqueles que rejeitam a psicologia por questões religiosas: o fazem por absolutizar o aspecto pístico da experiência. E quando se comportam dessa maneira estão idolatrando esse aspecto (sua religião professada), e consequentemente desprezando o aspecto psicológico da experiência. Isso fica muito claro quando colocam o Evangelho em oposição à Psicologia como fonte de cura para as enfermidades da alma.

O que Dooyeweerd chama de antítese dos aspectos modais é exatamente o que acontece aqui. A idolatria faz com que diversos aspectos que são apenas modos de ser da experiência, comecem a competir entre si. No entanto, essa competição só existe na mente do idólatra, daquele que fez da sua própria fé um ídolo de barro. Isso é, quem disse que o Evangelho está em competição com as Escrituras? Quem disse que a psicologia precisa funcionar como um paliativo, um substituto do Evangelho?

Um Exemplo de como Evangelho e Psicologia não precisam estar em oposição:

Por meio do princípio da Analogia Entis (tão odiado por Karl Bath) a humanidade sabe, ao menos desde Aristóteles, que tanto os homens como os animais possuem certas cognições em comum. Animais têm medo, tristeza, alegria, prazer, ira, ou seja, apetite concupscível e apetite irascível. E são exatamente esses apetites que se encontram em profunda desordem na maioria dos transtornos mentais que acometem os seres humanos. Perceba, não há nada de espiritual nisso. De outra forma, teríamos que assumir que os animais também possuem o mesmo relacionamento espiritual que temos com Deus. Agora perceba, as desordens espirituais estão situadas nos apetites intelectivos, ou seja, na razão e na vontade. Mas veja só que interessante, dependendo do nível de desordem dos apetites inferiores (concupscível e irascível), o ser humano perde a razão, um potência espiritual e superior. É o exemplo dos pacientes em surtos psicóticos, em quadros de delirium, demência, episódios de mania aguda e depressão bipolar grave. Tente conversar com qualquer ser-humano num estado assim. Tente ler a Bíblia para ele. Ele não te ouvirá. Na verdade ele pode até avançar em você. E advinha só, ele nem se lembrará de você no outro dia. Veja como é irracional tentar colocar o Evangelho em oposição à psicologia ou à psiquiatria quando falamos em transtornos mentais.

Enfim, eu poderia escrever textos e mais textos provando a irracionalidade dessa perspectiva idólatra e distorcida da realidade. Mas ao invés disso, eu apenas convido meus oponentes a estudarem o assunto, e encerro com uma célebre frase de Aristóteles:

Diferentes ciências admitem diferentes graus de certeza.

Educação Orientada para a Virtude – uma proposta de Vermigli.

Muito tem sido produzido em termos de literatura sobre educação cristã, homeschool, educação clássica, etc. No entanto, muitas vezes esses livros são superficiais e se resumem a propor uma antítese às ideologias contrárias às Escrituras – a chamada “guerra das cosmovisões“. Creio eu, e espero exemplificar aqui, que a tradição reformada tem muito mais a oferecer sobre o assunto e, sendo assim, podemos extrair dela algo maior e melhor do que simples conteúdo apologético.

Talvez a mente mais brilhante de toda a tadição reformada tenha sido o reformador italiano Pietro Martyr Vermigli. Educado sob as luzes do Tomismo, pôde iluminar a teologia protestante com o que havia de melhor na filosofia e nas humanidades em geral. Vejamos então um pequeno texto em que Vermigli trata da finalidade da educação:

Pois a aptidão da mente para essa ou aquela faculdade se origina do temperamento do corpo; essas inclinações e propensões de caráter pertencem […] ao potencial inato. Porque essas inclinações são dadas a cada um por natureza e não derivam do zelo ou da diligência. E é a responsabilidade dos mestres e tutores explorar desde o início os talentos e inclinações de um garoto deixado aos seus cuidados. Se um tutor nota que seu pupilo não possui nenhum talento para uma dada disciplina ou arte ele deve compartilhar suas observações com o guardião da criança para que o estado não perca um cidadão útil. Porque então o garoto pode ser enviado para aprender aquelas habilidades que ele é naturalmente capaz de adquirir. Assim, tanto a educação pública quanto a educação privada dos jovens, requer enorme atenção.

Peter Martyr Vermigli, Commentary On Aristotle’s Nicomachean Ethics, PML Vol.9, p.43.

Em primeiro lugar, o reformador italiano chama a atenção do leitor para a realidade de que cada ser humano é biologicamente inclinado para certos tipos de atividades. Exímio conhecedor de toda a obra do famoso médico Galeno (citado amplamente em seus livros), Vermigli não ignora a realidade natural e biológica do ser humano. Creio que também não deveríamos fazê-lo. Devemos nos conhecer, como dizia o antigo Sócrates, e nos conhecer envolve descobrir o nosso temperamento. Certas pessoas são naturalmente mais proativas e enérgicas, lidam bem com situações de stress e se sobressaem em sports e em testes de resistência. Outras, possuem um período de latência maior para responder às exigências do seu ambiente, são mais pacatas e talvez se saíriam melhor num emprego mais burocrático, ou mesmo ouvindo as pessoas para então aplicar algum conselho, terapia, etc. Enfim, podemos pensar em mil e uma possibilidades de carreiras acadêmicas e profissionais que são mais adequadas a certos tipos de temperamentos.

Em segundo lugar, Vermigli alerta sobre a importância dos professores ou mestres na formação acadêmico-profissional dos jovens. E aqui eu sei que posso comprar uma boa briga com pais homeschoolers, mas devo ser honesto com a itenção do autor. Uma boa educação para Vermigli deveria ser fornecida por pessoas extremamente capacitadas, um verdadeiro scholar. Ou seja, não é você papai e mamãe que estão aprendendo latim a essa altura da vida. Esse mestre deveria ser capaz então de entender as potencialidades naturais do jovem desde cedo, conhecendo sua natureza de maneira profunda para então orientá-lo da melhor maneira possível. Quantos fracassos seriam poupados se essas coisas fossem aplicadas hoje! Quantos homens sem nenhum interesse intelectual maior deixariam de ir para o seminário, poupando assim recursos e decepções na igreja… Por outro lado, quando começamos a explorar nossos talentos naturais, abrimos o nosso horizonte de consciência e ganhamos um fôlego incomum para agir e intervir no mundo, na vida do próximo, como nunca antes fizemos. Como deveríamos valorizar isso! Pais, valorizem isso!

Em terceiro lugar, devemos notar que para Vermigli o cumprimento da vocação não é um sucesso somente para o indivíduo, mas também para o estado. Com “estado” Vermigli quer dizer a adminsitração geral da sociedade, o que, é claro, envolve também o magistrado civil. O cumprimento da nossa vocação só pode redundar no serviço ao próximo e no florescimento da sociedade. Se você ainda não possui isso em mente, você precisa trabalhar urgentemente a sua vida interior, e talvez deva procurar um mestre que o oriente melhor sobre isso. Mas já lhe adianto: procurar pela sua vocação envolve sempre procurar progredir e prosperar em todas as áreas mais básicas da vida em primeiro lugar, como por exemplo, o sustento financeiro. Se você não possui dinheiro para se sustentar, não deveria se preocupar com vocação a menos que alguém esteja financiando sua vida de estudos. Se esse for o caso valorize isso como se fosse seu próprio sangue. Alguém investiu em você como um agricultou investe num solo, cultivando-o até que possa contemplar uma árvore frondosa e cheia de frutos. No modelo de educação vermigliano todos devem ser árvores frutíferas. Isso é bem diferente do padrão com o qual nós estamos acostumados, em que todos desejam apenas tomar os frutos para si, as vezes até mesmo esperando que eles caiam do céu.

Veja quantos aspectos Vermigli leva em conta quando trata apeans brevemente sobre a questão da educação: aspectos biológicos, psíquicos, individuais e sociais. Isso vai muito além de compreender conceitos de cosmovisão.

Esse modelo de educação é o que eu chamaria de Educação Orientada para a Virtude, pois ela envolve a excelência (areté) de si mesmo, visando a excelência do serviço prestado ao próximo e à sociedade, e finalmente culimando com a excelência da comunidade em que estamos inseridos. Utopia? Talvez, mas foi esse modelo de educação que esteve por trás do florescimento de grandes cidades desde a Idade Média até o Renascimento.

Estudiosidade vs Curiosidade: Buscando o tipo de conhecimento correto (parte 2)

Na primeira parte desta série, eu introduzi duas ideias: primeiro, a noção de que nem toda busca por conhecimento é boa e, segundo, a ideia de que uso mais antigo do termo “curiosidade” é um rótulo para uma busca desordenada e pecaminosa por conhecimento. Também examinamos as três primeiras maneiras pelas quais podemos ser vítimas da curiosidade, buscando os objetos errados do conhecimento.

E quanto aos erros em como buscamos conhecimento? A primeira delas é a curiosidade intemperada, que é simplesmente querer saber com um desejo muito frenético. Seus irmãos mais novos podem ser particularmente propensos a isso – particularmente em viagens de carro longas, quando eles têm um público completamente cativo e os podem bombardear com perguntas, até que você esteja pronto para pular do veículo em movimento!  Mas, é claro, alguns de vocês também podem ter sido vítimas da curiosidade intemperada, ao passar horas jogando um novo videogame, impulsionado por um desejo incontrolável de explorar novos níveis, pistas e reviravoltas no enredo. Os designers de videogames sabem como ganhar dinheiro explorando a curiosidade intemperada.

Mas há outra maneira pela qual podemos errar na maneira como buscamos conhecimento. Podemos chamar isso de curiosidade impertinente – impertinente no sentido de rude ou desrespeitoso. É claro que aprender a evitar isso nas interações humanas é uma habilidade social essencial, e a falta dela nos faz rir, no caso de crianças pequenas, e estremecer, quando as crianças mais velhas cometem o mesmo deslize. Por exemplo, por mais curioso que você esteja sobre a idade ou o peso de um adulto, é considerado indelicado e rude perguntar. Mas podemos ser desrespeitosos com Deus ou com os bens que ele nos deu, quando tentamos conhecê-los da maneira errada – por exemplo, procurando conhecê-los com mais certeza do que eles podem ser conhecidos. Eu acho que essa é talvez uma tentação particularmente comum para os cristãos. Pela graça de Deus, temos certeza através da fé na verdade do evangelho. E, portanto, muitas vezes somos tentados a pensar que, se Deus nos deu certeza sobre isso, então por que ele não deveria nos dar certeza sobre todas as outras coisas? Sobre quem votar nas próximas eleições, ou qual denominação cristã tem todas as respostas, ou como reconciliar a ciência e a Bíblia quando elas parecem entrar em conflito. É fácil para nós pensar nesses casos que somos animados pelo amor ao conhecimento, quando realmente somos movidos pelo ódio ao desconhecido. O empreendimento científico moderno é amplamente construído sobre esse tipo de curiosidade e, como resultado, muitas vezes força coisas como arte ou fé a um quadro de certeza e transparência que é simplesmente inadequada para eles.

Um problema relacionado a este é algo que podemos chamar de curiosidade superficial. Isso desrespeita o objeto do conhecimento, contentando-se com uma compreensão superficial, antes de passar rapidamente para outra coisa. O grande teólogo moderno John Webster chama isso de “uma espécie de promiscuidade intelectual, impulsionada pelo vício da novidade e uma compulsão por repetir a experiência da descoberta”. Vício por novidade. Compulsão de repetir a experiência. Isso não captura perfeitamente o relacionamento com a mídia digital – com aplicativos, notificações, mídias sociais, videogames, filmes – que se tornou difundida em nosso mundo? Aqui podemos ver um nítido contraste entre a estudiosidade, a virtude que para os cristãos medievais descreveu a busca correta por conhecimento, e a curiosidade. Enquanto os estudiosos examinam, os curiosos experimentam. Os estudiosos sabem que precisam entrar em um relacionamento contínuo com o que procuram conhecer – digamos, uma árvore, uma flor, um evento histórico ou uma ideia filosófica –, e entendem que ele tem profundidades que não foram exploradas, de modo que devem continuar em estudo atento. Os curiosos são consumidores. Eles reduzem o objeto de conhecimento a algo que eles podem captar e digerir inteiro, consumindo-o como fast-food e, insatisfeitos, voltando o olhar para algo novo ou para uma repetição intensificada da mesma coisa – como um filme dos Vingadores.

Em um dos primeiros alarmes que tocaram sobre a maneira como a Internet estava reprogramando nossos cérebros, Nicholas Carr escreveu uma década atrás: “Quando entramos na Internet, entramos em um ambiente que promove leituras superficiais, pensamentos apressados ​​e distraídos e aprendizado superficial”. Claro que a internet não é do todo ruim. Eu mesmo fui capaz de me beneficiar enormemente sendo um estudante na era da internet – é fácil nos familiarizarmos muito rapidamente com o assunto por meio do Google e da Wikipedia. Mas o problema é que pensamos que quando sabemos isso, nós realmente acreditamos que sabemos algo e que não há necessidade de cavar mais fundo.

Assim, mesmo quando estamos buscando coisas legítimas que são boas, verdadeiras e belas, podemos pecar em nossa busca pelo conhecimento, buscando-as de maneira errada, não reconhecendo esses dons de Deus pelo que elas são, transformá-las em algo que devoramos apenas para nosso próprio prazer transitório.

Medite nisso e fixe seus olhos no caminho à frente.

Traduzido por Marco Marrero

Estudiosidade vs Curiosidade: Buscando o tipo de conhecimento correto (parte 1)

Nesta série, quero explorar como ordenar corretamente nossos amores quando buscamos conhecimento. Acredite-o ou não, só porque o conhecimento é bom, não significa que todo tipo de conhecimento, ou toda forma antiga de buscá-lo, seja bom. De fato, é assim que acontece com qualquer bem que Deus nos tem dado para perseguir.

Os cristãos medievais gastaram muito tempo classificando pecados. Você provavelmente deve ter ouvido acerca dos “sete pecados capitais”, que foram grandes categorias sob as quais eles classificaram todos os outros pecados, mas eles tinham nomes para mais do que apenas setes. E, na verdade, “pecado” não é uma palavra muito adequada. A palavra “vicio” é muito mais precisa, uma vez que ela descreve um mal hábito ou uma disposição desordenada, inclinada a certas ações que, em princípio, podem ser boas ou úteis, mas que se tornaram distorcidas, mal direcionadas ou descontroladas.

Em qualquer caso, um dos vícios sobre os quais eles falaram muito era sobre curiositas. “Curiosidade”. Por quê? Como a busca pelo conhecimento pode ser uma coisa ruim? Vivemos na chamada “era da informação” e na “economia da informação” e nos convencemos de que o acesso a mais e mais informações deve ser uma coisa boa. Mas é uma ideia que queremos desafiar, por três motivos.

Primeiro, importa o que sabemos – nem todo conhecimento é uma coisa boa. Segundo, importa como sabemos, como orientamos nossas mentes e corações em direção aos objetos de nosso conhecimento e nossa busca por eles. Terceiro, importa porque sabemos – qual é o objetivo de nossa busca pelo conhecimento. Em cada uma delas, há uma boa maneira de buscar o conhecimento, que os medievais deram o nome de virtude da estudiosidade, e uma má maneira, que chamaram de curiosidade. Os monges medievais que deram o nome ao vício gostavam de organizar as coisas em grupos de três – como a Trindade – ou em grupos de sete – como os sete dias da criação. Por isso, nesta série quero explorar três formas do vício da curiosidade que se relacionam com o que sabemos, três que se relacionam com o que sabemos e uma que se relaciona com o que sabemos – dando-nos o total geral de sete.

Então, como podemos pecar no que procuramos saber? Bem, podemos nos desviar exigindo saber coisas que somente Deus pode saber – por exemplo, o futuro, algo que muitas vezes desejamos profundamente saber, mas não podemos. Às vezes, tentamos organizar nossas vidas de uma maneira que torne o futuro certo e fingimos que conseguimos, mas isso é sempre falso. Também podemos procurar conhecer mistérios teológicos que estão além do nosso alcance. E há algumas coisas – coisas más – que podemos saber, mas não devemos procurar. Então, todos esses erros podemos chamar de curiosidade arrogante.

Mas existem algumas coisas que são inteiramente apropriadas para que alguns humanos as conheçam, mas, que talvez não seria adequado que eu as soubesse. Existem muitas coisas no mundo que simplesmente não nos interessam e não devem nos preocupar, e se eu tentar prestar atenção a elas, isso apenas me afastará da vocação que Deus me deu. Nossas vidas estão ocupadas o suficiente, de forma que você pode pensar que seria fácil ignorar qualquer coisa que não precisamos saber, mas não o fazemos. Mais de 2.000 anos atrás, Plutarco discutiu esse vício da curiosidade intrometida, na qual buscamos saber os assuntos de outros e fofocamos sobre eles. E você pode apostar que monges medievais, vivendo juntos por anos em comunidades fechadas, tinham muita experiência com esse problema.

Agora, todos vocês provavelmente podem pensar em momentos de sua vida – provavelmente na última semana – em que foram vítimas de cada uma dessas tentações. Eles estão profundamente ligados à nossa natureza pecaminosa. No entanto, existem maneiras pelas quais eles foram literalmente conectados às tecnologias que compõem nosso mundo hoje. Agora que essas vastas fronteiras do conhecimento foram abertas ao nosso acesso instantâneo pela revolução digital, somos tentados a pensar que tudo o que queremos saber pode e deve ser conhecido quando quisermos. Ficamos impacientes com o mistério e com o raciocínio paciente, e essa impaciência é profundamente destrutiva para o discipulado cristão. É uma curiosidade arrogante pensar que, por sermos capazes de saber tanto, devemos ser capazes de saber tudo. E sobre a curiosidade intrometida -– sempre querendo saber o que todo mundo está fazendo, em vez de pensar no que devemos fazer? Este é todo o modelo de negócios das mídias sociais! Redes como o Facebook podem ajudar a fortalecer relacionamentos saudáveis, permitindo-nos manter contato com outras pessoas à distância, mas elas podem facilmente incentivar dinâmicas prejudiciais de fofocas e de nos compararmos a outras pessoas, ou procurar mexericar na vida dos outros. E, é claro, acho que todos temos ampla experiência de curiosidade distraída em relação à tecnologia. Agostinho pode ter sido um pouco escrupuloso ao se preocupar em observar o lagarto, mas quando nos encontramos distraídos do nosso trabalho com cada pequena notificação em nosso iPhone ou desktop, ou verificando o Facebook dez vezes por dia, dificilmente podemos dizer que ele não tinha razão.

Superar essas tentações não é fácil; vencer a tentação raramente é. Mas a estratégia básica deve ser bastante óbvia: fixe seus olhos em Jesus e nas tarefas que ele determinou que você fizesse. À medida em que você envelhecer e entrar na idade adulta, Ele geralmente deixa essas tarefas menos definidas, e você terá que buscar constantemente a orientação dele para saber o que ele quer que você faça. Quando você estiver tentado a dedicar algum tempo à busca de conhecimento proibido, ou conhecimento acerca da vida intima de outra pessoa, ou apenas conhecimento de algo que é irrelevante para a tarefa em questão, pergunte-se: “Isso me ajuda a alcançar o que Deus me deu para fazer agora?” E, se não, ignore-o escrupulosamente e fixe os olhos no caminho à frente.

Escrito por Brad Littlejohn e publicado originalmente em London Classical School. Traducido por Marco Marrero

Você pode encontrar a segunda parte desta série clicando aqui.

A Solução de Turretini para a Psicologia Moderna (Parte 2)

François Turretini

Neste artigo tentarei responder a seguinte questão: quais são os obstáculos que impedem o homem natural de se conformar à Lei Natural?

Ora, se existe uma lei natural que pode ser acessada e em certa medida obedecida pelos homens, trazendo-os assim a um estado de vida mais honroso, feliz e pacífico; quais seriam os obstáculos para esse florescimento que pode ser obtido pelas faculdades humanas?

Turretini nos explica como o homem natural apreende essa lei:

Ora, dentre essas noções, algumas são primárias (a que chamamos princípios), outras secundárias (chamadas conclusões). Os princípios são aqueles que (sendo de si mesmos conhecidos e em tudo inamovíveis, fundamentados no bem comum), pelo auxílio da razão, geram conclusões de si mesmos. Estes são reduzidos ao fundamento do bem comum; são ou mais próximos, imediatos e (como dizem) pertencentes ao primeiro ditame da natureza (os quais são proximamente deduzidos dos princípios e prontamente entream no conhecimento); ou mediatos e mais remotos (os quais pela consequência mais remota e com maior dificuldade são deduzidos dos princípios). Os primeiros não admitem nenhuma variedade; os segundos admitem uma grande variedade nesta natureza corrompida.

François turretini, compêndio de teologia apologética II.XI.XI.

Aqui Turretini separa aquele conhecimento natural que pode ser chamado autoevidente, do conhecimento (também natural) que é lógicamente deduzido daquilo que é autoevidente. E assim, quanto mais deduções forem necessárias para a construção de um determinado conhecimento, menos exato e inequívoco ele será – daí a necessidade de testar/provar todo conhecimento deduzido.

Mas veja, se só pudéssemos confiar no conhecimento autoevidente, jamais entraríamos num prédio de dez andares, pois nada ali é autoevidente. Da mesma forma, muito do que é feito num consultório de psicologia ou psiquiatria é (ou deveria ser) baseado em evidências, testes randomizados com centenas de pacientes e um conhecimento humanístico acumulado há mais de dois mil anos.

Na verdade, a técnica psicoterapêutica com maior eficácia na prática clínica nos dias de hoje, a Terapia Cognitivo Comportamental [TCC], consiste justamente em fazer com que o paciente se desfaça de conclusões/raciocínios chamados desadaptativos, que lhe são prejudiciais. Trata-se de uma ferramenta de enorme potencial, sobretudo nas mãos de um profissional que saiba o que vem a ser um homem virtuoso.

No entanto, existem outras barreiras ao uso apropriado da lei natural. Turretini continua:

[…] esta lei foi de muitas formas corrompida depois do pecado, pela corrupção natural, pela educação errônea [a tradução mais correta aqui seria “educação ruim”] e pelos costumes viciosos.

FRANÇOIS TURRETINI, COMPÊNDIO DE TEOLOGIA APOLOGÉTICA II.XI.XI.

Essa lista de “obstáculos” é muito comum e aparece em diversos tratados puritanos sobre a Lei Natural, como em Vindiciae Legis, do puritano Anthony Burgess. E o que quer dizer cada item dessa lista?

Ora, por corrupção natural, Turretini se refere à corrupção da natureza. Aqui poderíamos enumerar a fraqueza da razão e da vontade, como duas faculdades da mente que não operam como deveriam. Por vezes, não conseguimos distinguir o certo do errado, e ainda, por vezes, a vontade é tomada pelas paixões desordenadas, e não obedece ao que a razão estabelece como bom, justo, honesto e verdadeiro. Exemplo disso são as pessoas que sofrem com TOC, e verificam dezenas de vezes se fecharam a porta de casa ao sair ou ainda quando imaginam que toda sua família morrerá se ela não contar todos os carros que encontrar na rua. Também poderíamos citar aqui o próprio processo de envelhecimento, o qual muitas vezes leva a um estado demencial em que a memória, a corrdenação motora e a cognição estão prejudicas. Eis a nossa natureza! Ela mesma é o principal obstáculo para compreendermos a lei natural. Mesmo se passamos uma vida inteira mais ou menos nos conformando a essa lei, podemos chegar na velhice e esquecê-la completamente. A Graça reside no fato de que Deus nunca se esquecerá de nós!

Quanto à influência de uma educação errônea [ruim] é fácil perceber como isso, muitas vezes, impede as pessoas de conhecerem a verdade das coisas. Poderíamos citar o exemplo da educação nazista, da educação comunista, da educação proposta por Paulo Freire no Brasil etc. São todas filosofias de educação que, na história, impediram a prudência e a sabedoria de crianças e jovens que foram moldados para compreender o mundo em termos de uma ideologia política. Por outro lado, podemos citar aqui também as crianças que não têm acesso a nenhum tipo de educação. Na psiquiatria, dizemos que essas crianças estão “queimando imprint”, ou seja, estão disperdiçando etapas essenciais para o seu neurodesenvolvimento e florescimento pessoal e, assim, jogando fora o potencial inato que lhes fora dado por Deus.

O Reformador Pietro Vermigli também compartilha dessa mesma idéia quando escreve sobre a relação entre virtude e educação:

Pois, se não houver nenhum estudo de leis e moral e nenhuma disciplina de educação, nós não desenvolvemos nossa mente na virtude.

Peter martyr vermigli, commentary on aristotle’s nicomachean ethics, pml vol.9, p.55.

Por fim, Turretini fala também dos costumes viciosos. E o que seriam? O vício, na concepção aristotélico-tomista na qual o autor está inserido, seria qualquer hábito essencialmente ruim, ou seja, um costume inerentemente prejudicial para o homem. São inúmeras as relações entre vícios e transtornos mentais; aqui falamos não somente do álcool, do cigarro e outras drogas ilícitas, mas também da comida, do sexo e até mesmo de jogos. Todo vício entorpece em maior ou menor grau os sentidos e as faculdades superiores do homem – ou seja, a razão e a vontade.

No próximo e último artigo da série tratarei do lugar da culpa na psicologia e como isso se relaciona com a Graça (nesse caso, para aqueles de nós que cremos nela).